O termo pode parecer complicado: “LAN house”. Ao escrevê-lo por extenso, torna-se ainda mais assustador: “Local Area Network house” (casa de rede local de computadores). No entanto, superado o temor inicial, percebe-se que o princípio desse novo negócio em crescimento no país é bastante simples.
Basta conectar alguns dezenas de computadores em rede, disponibilizar diversos jogos populares e cobrar pelo aluguel das máquinas.
Essas são as “LAN houses”, um conceito importado da Coreia do Sul para o Brasil há quatro anos. São estabelecimentos que reúnem de 20 a 60 computadores, em média, nos quais os clientes pagam cerca de R$ 3 por hora para se divertirem interpretando papéis de policiais, terroristas, deuses, monstros e uma infinidade de outros personagens típicos dos jogos eletrônicos.
É como um “fliperama de alta tecnologia”, mas os empresários do setor não gostam dessa comparação. Isso ocorre porque a imagem dos fliperamas está bastante desgastada, geralmente associada a lugares escuros nos quais se consome cigarros ou bebidas. Nas “LAN houses”, a situação é completamente diferente.
O ambiente é limpo: paredes brancas, chão sempre bem cuidado, desodorizadores de ar em funcionamento constante. Fumar ou consumir bebidas alcoólicas é proibido.
A ideia é integrar os jogadores, que formam equipes para competir uns contra os outros em partidas que podem reunir até 20 pessoas.
O investimento para abrir uma “LAN house” padrão, com 30 computadores, cerca de dez títulos de jogos e uma área para lanches rápidos, gira em torno de R$ 200 mil. Uma unidade nessas condições fatura aproximadamente R$ 20 mil por mês, com despesas fixas em torno de R$ 14 mil. O retorno do investimento está previsto para um prazo de 18 a 32 meses.
De acordo com estimativas dos empresários do setor, existem no Brasil de 400 a 500 estabelecimentos desse tipo. Na Coreia do Sul, são 26 mil.
Diante disso, os investidores afirmam que o mercado nacional ainda deve crescer e abrigar pelo menos 2.000 lojas antes de se estabilizar. “Ainda é um investimento promissor”, diz Leonardo De Biase, gerente de comunicação da rede Monkey.
“O negócio é bom, mas o período de amadurecimento do mercado já começou”, declara Othon Barcellos, gerente de marketing da Just4fun, uma rede de “LAN houses” que licencia a marca por uma taxa de R$ 20 mil.
No entanto, antes de se empolgarem demais, o professor de empreendedorismo da Eaesp-FGV, Tales Andreassi, recomenda cautela. “Essas tecnologias estão sujeitas a serem substituídas por outras mais novas. É um risco do negócio.”
“Até seis meses atrás, só víamos novas lojas sendo abertas. Agora, as primeiras já começam a fechar. Isso é um sinal de que está ocorrendo uma depuração do mercado”, afirma.

